Acessibilidade ≠ Overlay: a National Federation of the Blind alerta para as limitações dos overlays
Um overlay pode modificar um site. Isso não significa que consiga compreendê-lo. A Resolução 2021-04 da NFB apresenta exemplos concretos de por que razão a automatização, por si só, não pode garantir acesso não visual completo.
O que diz a National Federation of the Blind?
Em 2021, a National Federation of the Blind (NFB) adotou a Resolução 2021-04, Regarding the Use of Overlays to Make Websites Accessible to the Blind. A resolução analisa os objetivos dos overlays, as suas limitações e o que seria necessário para melhorarem verdadeiramente o acesso não visual.
O que um overlay tenta corrigir
A NFB explica que estas ferramentas podem tentar descrever gráficos sem etiqueta, permitir por teclado a ativação de controlos programados apenas para rato e inserir cabeçalhos onde o sistema considera existir um título. São objetivos úteis, mas automatizá-los não significa compreender corretamente o conteúdo.
O contexto de uma imagem nem sempre pode ser deduzido
Uma descrição automática pode identificar duas pessoas diante de um edifício sem saber quem são nem qual edifício é relevante no contexto. A NFB usa este tipo de exemplo para mostrar a diferença entre reconhecer elementos visuais e compreender o seu significado.
Cabeçalhos, tabelas, vídeo e CAPTCHA
A resolução aponta outras limitações: um overlay pode aplicar cabeçalhos incorretamente, interpretar mal a estrutura de uma tabela, não consegue gerar automaticamente uma audiodescrição adequada de um vídeo nem resolver com precisão um CAPTCHA visual inacessível.
Acesso parcial não significa acesso completo
Os overlays podem ajudar a tornar acessíveis determinadas partes de um site, mas por si só não podem garantir acesso não visual completo em todos os sites onde são instalados. Uma instalação única de código também não garante acessibilidade completa e duradoura.
Quando os controlos de acessibilidade também são inacessíveis
A NFB descreve sites que pedem a ativação de um modo de leitor de ecrã através de um atalho de teclado sem identificar claramente o overlay, explicar como o desativar ou como comunicar problemas. Alguns controlos e perfis do próprio overlay podem ser inacessíveis para utilizadores de leitores de ecrã.
A acessibilidade exige um ciclo de vida
A acessibilidade deve ser uma prioridade durante todo o ciclo de vida do produto, desde o design até à implementação e manutenção. A automatização e a inteligência artificial podem ajudar, mas não substituem uma estrutura correta, interação acessível, conteúdos adequados e testes reais.
Uma posição crítica, mas não contrária à inovação
A NFB não afirma que toda a tecnologia de overlay seja inútil. A resolução acolhe soluções que proporcionem verdadeiro acesso não visual e pede a programadores e clientes que trabalhem com pessoas cegas e especialistas em acessibilidade.
Acessibilidade ≠ Overlay
A pergunta não deve ser se um site tem um widget de acessibilidade, mas se uma pessoa consegue navegar, compreender o conteúdo, utilizar os controlos, preencher formulários e concluir as mesmas tarefas com a sua própria tecnologia de apoio. A acessibilidade real é concebida, desenvolvida, testada e mantida.
Fonte original
National Federation of the Blind — Resolution 2021-04: Regarding the Use of Overlays to Make Websites Accessible to the Blind.
Adotada em 10 de julho de 2021.
